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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Zero

Eu sempre começo do zero
O acumulo do nada
Preciso associar o oposto
Para assim não me esquecer das semelhanças
Simultâneo mutante
Muda de lado o presente e o passado
Esconde a idéia
A mesma mente que decora o defeito
Reter o que remete
Deter o que deleta
Isola-se a lembrança datada
Navego entre pensamentos
Esse barco já ancorou

domingo, 23 de janeiro de 2011

Tempo

O tempo intimida a minha idade
Aponta seus ponteiros na minha cara
Seu despertador grita em meus ouvidos
“I want you older”
Ignoro e continuo a dormir
Derrotado pela inexorável vida.

Revelia

Se eu pudesse reler a lua
Refaria sem regalia
Me valeria de astronauta
Na realeza do espaço
Reaver o teu amor
Revelar teus pés
Acima do sol
Voa o que não é real
Alia-se ao céu
Toda linha do absurdo .

sábado, 22 de janeiro de 2011

DNA

Meu coração bate por puro acaso
Deus compadecendo meu humor
hoje a paciência parece me cercar
pulo e não engulo outro susto
me preservar de verdade
me fez perecer na dúvida
Você é como janela
se não me jogo em você
é por que eu morreria
Meus óculos embaçados de cansaço
não enxergam além da lente
Estive perto de sua distancia e não aprovei o silencio de sua noite
Eu quero amargar o funcionamento de seu desejo
e repensar toda sorte
Deixará o caminho livre para o desperdicio
Fortuito me encarregarei de ser o resto
Minha origem não é nada original eu também emergi na tecnologia
só ganhei espaço entre os mortos
meu manifesto é contra o senso
Descubra teu nome e depois me chame que eu volto mas se eu não voltar esteja em minha frente
Viver é apertar o interruptor para acender uma lâmpada queimada
Não persiste o erro que não é distraído
Vence o apego que é traído
Juntos somos imparciais
quando a luz acabar,ligue todos os interruptores ou nunca saberemos quando ela voltar
Minhas mãos paralisadas por falta de tato
minha língua fica seca por falta de assunto
todos os meus sentidos revogaram
Formigas em meu DNA.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ratos e Violão

Julio se trancava no quarto,todas as vezes que ouvia um estrondo vindo de sua sala,era uma mistura de lata caindo com um ruído estridente,certa vez Julio no ímpeto de sua idade,foi espiar o barulho assustador,e pode ver que era uma pequena assombração na silhueta desgovernada de um rato.Julio não pensou duas vezes voltou a se trancar no quarto,e de lá nunca mais saiu,todas as vezes que ouvia o fatídico som,ele tapava os ouvidos e fazia uma pequena oração.Algum tempo se passou,e a harmonização do rato foi substituída por um ritmo de acordes oriundos do violão de sua irmã,vale ressaltar que a sonoridade dos dois se assemelhavam e muito.No quarto o som que entreva pela fechadura era o mesmo que o atemorizava,na cabeça dele continuava sendo o som do rato.Julio ficou meses no quarto sem saber que já não havia mais ratos e sim,só o violão.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Dentro de mim

- Sua voz é linda
- Não é não,é frágil
- Eu acho pura poesia
- Meu pai diz que falo para dentro
- Só se for para dentro de mim.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Tolerante

Sinto mais saudade do que acabou de acontecer
Do que daquilo que nunca mais aconteceu
Não sei sentir nada,sem for um maremoto
Não há mais pecado no encontro
Aonde a auto-suficiencia de quem não se ama,escapa da tolerencia
Não quero alguém me ame,quero alguém que me tolere.