Páginas

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Lúcida

Seu andar afogava calçadas,estava prestes a desprender árvores e a liquifidicar a lua.O charme com que arruinava o sossego podia ser visto até em Vênus.Era beleza demais para uma só verdade.Chantageava as luzes enquanto sua boca incitiva um crime.Todo seu andar era passional demais para pegar um taxi e por isso atravessa a cidade a pé,distraindo fustraçãoes e atropelando o oficio de quem não sabia deseja-la.Seu destino era sua intuição e a intenção fazia dela um alvo facil do silencio.A madrugada era um tiro em seu romance e quando amanhecia,ela acordava nos braços de qualquer desencontro,já limpa.A cada cigarro que acendia era um pacto novo.Abortava pesadelos e renascia quando invejada.Nunca foi de ninguém,afundava a infancia na areia e adolescencia no mar.Permaneceu louca durante muitos anos,sendo lúcida apenas quando me recitou isso.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cafuné

Prefere o café
do que meu cafuné
acha meu amor cafona
e meu chapeu de cafetão
Não quer ir para meu cafofo
pois fica lá em cafundó
Não quer confinar a confusão
Não tenho cacife para ser cafageste
Nem fé para ser fino.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quase Dezembro

Quase Dezembro
e eu quase desempregado
quase me desapego do meu sonho
não prego mais meu maldizer
quase não pago meu sorriso
e apago pela ultima vez meu divã
Quase dezembro
e eu quase desmembrado
dezembro é o mes da zebra
não rogo mais a praga
nem prorrogo mais a vontade.
É quase dezembro
e eu aqui sendo quase tudo.

A essência é uma droga

Me redescubro na sua fantasia
o segredo de suas mãos vazias
aperfeiçoa o instinto cético
meu momento ingrato é ferido
o egoismo que nasce em meus cabelos
minha testa tem o fogo da inocencia
eu cultivo a confusão
meu deleite são os meus deleterios
a vertigem coexiste com a calma
o caos infiel em que me enfiei
sobrecarregado de dúvidas
o chão é a vista para a o mar
aonde eu escapo da felicidade
me enterrem em meu erro
incertezas me limitam
os olhos deturpam aquilo que o coração sente
a minha metamorfose é inanimada
moro em um prédio mas não conheco ninguém
nem o porteiro sabe meu nome
essência descartavel
epseidades denecessárias
sou o que veio a terra
mas preferia ficar no inferno
sou o que enfurece o conservadorismo
não pertenço a nenhuma geração
a essa geração calada
a minha revolução eu faço com minha erva
e minha cabeça eu faço com um tiro.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Trovão

Eu meço a distancia na chuva
faço uma leitura do céu
e percebo um Deus prolixo
não há mais novidades no divino
se eu não lembro é por que não senti
meu coração ambivalente
embaixo de uma nuvem bicolor
eu preciso reler jornais antigos
buscando um passado inédito
e acreditando novamente no amor
Meu pulso me mostra o que devo fazer
e minha ira é tão bela quanto sagaz
enfraqueco de tanta força
e sangro como um quadro que perde tintas
na mão de um esquizofrenico
eu mal frequentei a vida
e quando estive presente
ela faltou comigo.
minhas palavras tão mais forte quanto a chuva
quero algo que me engasgue
algum trovão que abrace meu pescoço.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Poema nos meus 43 anos

Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida
careca como uma lampada
barrigudo,
grisalho
e feliz por ter um quarto
...de manhã
elas estão lá fora
ganhando dinheiro :
juízes,carpinteiros
encanadores,médicos
jornaleiros,guardas
barbeiros,lavadores de carro,
dentista,floristas,
garçonetes,cozinheiros
motoristas de taxi...
e você se vira
para o lado pra pegar o sol
nas costas
e não direto nos olhos

Charles Bukowski

sábado, 6 de novembro de 2010

Sabotagem

Eu não quero me trair
não de novo
ja fui meu pior inimigo
hoje quero apenas ser meu abrigo
mas sem me trancar para fora do mundo.
Sabotando e botando a felicidade longe de mim
Sofrendo bullyng que eu mesmo causo.