A aurora a florear a minha nuca
Renasce a fina flor no peito
A cada aurora,florea um samba
Em um infinito que não desafina
Teu canto, cabrocha
é de bom tom
e desabrocha, qualquer botão.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
No meio do caminho tinha um poste
No meio do caminho tinha um poste
Que nos obrigava a separar as nossas mãos
No meio do caminho tinha dois postes
Que nos obrigava a dar 20 passos sem as mãos dadas
No meio do caminho não tinha nenhum poste
Dávamos a mão
No meio do caminho não tinha nenhum poste
Mas tinha uma arvore
Soltávamos a mão novamente
E o meio do caminho, não parava de surgir
Mil arvores, mil postes
No meio do caminho tinha 30 cestas de lixo
Soltamos a mão o caminho inteiro e andávamos calados.
Depois do caminho inteiro de mãos soltas
Resolvemos andar no meio da rua
Morremos atrapalhando o trânsito
De mãos dadas.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
No que pisamos quando não gostamos de andar
Trouxe
duas cervejas. Antes de entrar em casa, na soleira, sequei as duas latas.
Apoiei meus pés nos livros, se não consigo ler, que pelo menos eles possam me
servir de algo. E deixei assim, os versos longe da boca. Sobravam a vontade
para os vícios, os hiatos do verbo na minha boca.
Não mais
hospedava meus passos no seu desconforto, sonhar era mais fácil que quilometrar
o desapego. O espaço que nos separa dobrou o tempo do encontro e até os
viadutos, se esqueciam e se lembravam em paralelo com nossas indecisões.
No meu colo, carregava o vazio do seu descuido, e sem reconhecer teu
andar, descansava meu caminho.
Entre a
calçada e a porta, eu teria que andar por infinitas estradas. Entrar naquela
casa, era reconhecer as minhas inúmeras fraquezas, a minha fragilidade, a sua
força intensa. E eu nunca soube dar meia volta. Então, eu preferia
cambalear a ter que me acercar de sua cintura, ainda que seu umbigo me atraísse
como um sol. No meu delírio, eu orbitava, passeando por seus seios, seu ventre.
Eu só orbitava, sem nunca ser protagonista afinal.
Engoli em
seco e abri um dos livros-apoio-de-pés. Procurei qualquer verso de amor que te
falasse por mim. Que te falasse amores ou saudades. Que te falasse mistérios ou
novos medos. Qualquer verso que me poupasse de minhas palavras secas e cansadas.Qualquer
verso que coçasse nossos pés, qualquer métrica que mapeasse ou instigasse teu
significado em minha percepção. Depois de alguns goles na cerveja, toda poesia
cinética caminhava no azulejo gelado que eu tanto evitava deitar teu corpo.
Desisti de te dizer qualquer coisa. Só queria devorar faminto a
sua boca de tantas palavras, agora doces, não mais do que uma lembrança, não
mais que adivinhação, palavras-além-pés.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Meus fones de ouvido
Você se foi, e levou consigo os meus fones de ouvido, e foi
como se tivesse levado para si, a minha audição, o meu autismo.
Você no contraponto, colocava os fones para ouvir a
saudade, e do outro lado eu tapava meus ouvidos, ensurdecendo a falta.
Ela levou meus fones, desalinhando meu bom gosto, a linha tênue
entre meu esforço e meu recalque.
Levou os fones para ouvir freqüências que eu nunca
conseguia atingir, em equalizações que eu nunca consegui prometer.
Meus ouvidos desconcertados, descompassados, a imaginar a tua
voz. Tentando compensar a aflição, desencapado de medo.
Sem os fones, eu escutava as vozes da minha cabeça, e
nenhuma era a sua e como em uma transmissão de arrependimento, eu me desligava em dó.
A tua voz era uma imagem
mental, que levou o equilíbrio e um abismo cego me tomava sem
música.
As vozes inventadas carregavam minha cabeça, enquanto você
ouvia a ausência de nossas conversas.
Você se foi, e levou consigo os fones, desfigurando meu
impasse.
Meu silencio vagando por estradas surdas, e nas curvas dos
teus murmúrios, eu fenecia.
Eu me lembro de ouvir outro disco, enquanto tua boca desligava
minha cabeça, e na disritmia eu aceitava suas flores.
Mas tuas despedidas, arranhava meus ouvidos, e as declarações
injetadas, sem ritmo, se repetiam sem
nunca encontrar sincronia.
Eu ouvia, o amor amiúde, das palavras traduzidas por outro
ouvido, da boca que regurgitava o obvio. Então olhava para suas gengivas, sujas
de clichê, e nas desculpas paliativas, no fio dos teus dentes, a retirar as
anedotas que rasgavam a minha canção.
Canção dos olhos, composição da calma, que nunca entendeu o
teu pensar.
Era um samba mal sujeitado, cantado ao pé de um ouvido
doente.
E em um dissabor eu fantasiava outro porta bandeira a ostentar a teu sorriso.
Meus fones em outros ouvidos
E eu corria para o meio fio, a gritar desafinado, o teu silêncio.
E eu corria para o meio fio, a gritar desafinado, o teu silêncio.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Estrela
E a nova estrela
A estrear meu pensamento
A instruir meus olhos perdidos
Entrelaçada em meu pescoço
A trair meus pés
Mas com teus olhos atrelados
Não mais me distraio
Fujo do estreito
E me atento ao teu mundo.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
O surreal peso da lua
Meu desespero
Desvencilha o impulso
Um feixe de grito que não emociona nada
Inebriado, finjo riso
Inebriado, finjo riso
Solitário, desconheço a graça
Abrigo em minha opacidade, a intenção.
Oco, guardo todos os empecilhos no pensamento
Pouco me importo, se não poupo o acalento.
Meço o espaço do lamento, no surreal peso da lua.
O artificio ótico que preenche a ilusão de quem teima em sonhar
E queima e encolhe, o desfoque que não aproxima as horas
Ei de pisar no erro
e desenterrar a bandeira que hoje encobre minha visão.
Meu vazio a enluarar a planície.
E queima e encolhe, o desfoque que não aproxima as horas
Ei de pisar no erro
e desenterrar a bandeira que hoje encobre minha visão.
Meu vazio a enluarar a planície.
A marginar o pouso, sem nunca ter voado.
Da luz pictórica só a loucura me fascina.
A desavença da terra com meus pés
A inflar o meu tempo
Meu rosto convive com os pássaros
De tão distraído, não percebo o espelho.
Poema
Um poema a pigmentar a tua pele
Precede o silêncio cego
Da Pálpebra que traduz a premissa
Apenar o caminho, que alfabetiza a língua
Do lábio que se ama, é que se lê o beijo
Teu punho à prometer o sonho
Tua pele a inteligir meu peito
Meu pelo, minha boca.
Um poema a pigmentar tua pele
Apotegma de meu sentimento
Pormenores veias
Da Pálpebra que traduz a premissa
Apenar o caminho, que alfabetiza a língua
Do lábio que se ama, é que se lê o beijo
Teu punho à prometer o sonho
Tua pele a inteligir meu peito
Meu pelo, minha boca.
Um poema a pigmentar tua pele
Apotegma de meu sentimento
Pormenores veias
A verbalizar a dádiva
A permear em meus poros
Todo vocabulário.
Que compreende em teu pulso
A minha consciência.
A permear em meus poros
Todo vocabulário.
Que compreende em teu pulso
A minha consciência.
Assinar:
Postagens (Atom)