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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Estrela


E a nova estrela
A estrear meu pensamento
A instruir meus olhos perdidos
Entrelaçada em meu pescoço
A trair meus pés
Mas com teus olhos atrelados 
Não mais me distraio
Fujo do estreito
E me atento ao teu mundo.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O surreal peso da lua


Meu desespero
Desvencilha o impulso
Um feixe de grito que não emociona nada
Inebriado, finjo riso
Solitário, desconheço a graça
Abrigo em minha opacidade, a intenção.
Oco, guardo todos os empecilhos no pensamento
Pouco me importo, se não poupo o acalento.
Meço o espaço do lamento, no surreal peso da lua.
O artificio ótico que preenche a ilusão de quem teima em sonhar
E queima e encolhe, o desfoque que não aproxima as horas
Ei de pisar no erro
e desenterrar a bandeira que hoje encobre minha visão.
Meu vazio a enluarar a planície.
A marginar o pouso, sem nunca ter voado.
Da luz pictórica só a loucura me fascina.
A desavença da terra com meus pés
A inflar o meu tempo
Meu rosto convive com os pássaros
De tão distraído, não percebo o espelho.

Poema

Um poema a pigmentar a tua pele
Precede o silêncio cego
Da Pálpebra que traduz a premissa
Apenar o caminho, que alfabetiza a língua
Do lábio que se ama, é que se lê o beijo
Teu punho à prometer o sonho
Tua pele a inteligir meu peito
Meu pelo, minha boca.

Um poema a pigmentar tua pele
Apotegma de meu sentimento
Pormenores veias
A verbalizar a dádiva
A permear em meus poros
Todo vocabulário.
Que compreende em teu pulso
A minha consciência.



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Infância


A espinha que abrasa o martírio
Desafina meus pés
Verte o susto que desaponta o perigo
Sintomatiza o passado no corpo e o futuro na mente
Atomiza a provação, eterniza o fascínio
Descobre a palma, salta desbravada a  má sorte
Salta até se desdobrar em chuva.
Discorre a água, e isola meu medo.
A distancia descalça meus passos
Meus joelhos desencantam o desastre
Desconheço o rosto que desgasta meus dedos
Desfilo a ríspida inocência
Não desviro a chave.
Nem recorto a luz
da boca que desanuvia o choque.


domingo, 19 de agosto de 2012

Marasmo

Afogo meus espasmos nesse marasmo de fantasmas
Miasmas anímicos em carruagens alegóricas
Membranas em rotação fundem a ausência
O fanatismo que ilude o alivio
Empesteia cada partícula de sal
Funesto a esmo
A mucosa inquieta abranda o ferimento 
O cardume de sinapses que dispersa no egoísmo
O pasmo que endurece o abismo
O milagre que por osmose
Espuma fé.
Minha boca que por mesmice 
espuma dó.



terça-feira, 14 de agosto de 2012

O correio não passa


O cachorro vira lata
Do dono catador
De lixo.

Em casa de analfabeto
O correio não passa.
Mas o cachorro late.

Falta afeto
No asfalto
Calçados na calçada.

E a casa
Que desmerece o mero morador
Desmorona.

domingo, 5 de agosto de 2012

Carnear

Um coro de confetes
Queima o covil
O bobo carnavaliza o riso
A corte canaliza a carne
Carbonizando a quarta
Carnear a coroa
Que não vira cinza.
Pois não há rei
Que reencarna
Na carniça de um Zé.