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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Lembrança Baldia


Eu finjo envelhecer, enquanto te espero
Desplanto meus pés para fugir da febre
Não vôo, espero
Há ar demais em meus ossos
E chão demais para a espera
Meu pulso umedece as horas
A lembrança baldia
Do rosto que não cultivo
A boca calada, saliva
O assimétrico vento que fragiliza
Liquidifica teu atraso
Não há mar que espera tua onda
Nem alento sem teu sal
Espero
Espero, e finjo adoecer.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Palavras sonâmbulas


Eu que apedrejo palavras sonâmbulas
Imergido no limo que estagna minha boca
Das plantas que formigam no concreto
Trespassam e umedecem meus olhos
Eu que desteço palavras mofadas
Submerso na decomposição
Das plantas que devoram meu silêncio
Trespassam entre meus dedos
E umedecem a boca sonâmbula
Das palavras que viraram pedra.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Candeia de flores

Raiz estreita
Meus pés secos
Vejo tudo se alongar
Por onde o sol não quer nascer

O vento arranca a vaidade
Dos ganhos que só fazem tempo

O caminho vai murchar
Até virar mentira

E no fim enegrecer
Pois não há
candeia de flores

Se for para correr
Deixa a cor se dilatar.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Folheto

Você não quebra
Pois teu peito é dobradura
Que na queda
Navega
No mar de brochura
E se desdobra até virar saudade
E se desdobra até desalinhar o meu prumo

Já o meu peito rasga
Espumo
E engasga em teu mar
Se afunda sem escapar dos corais
No leme rasgado
Encaderna o cais
Abraça teu fôlego, e salva o teu nó 
Virando folheto de uma folha só

sábado, 16 de junho de 2012

Dentro


É dentro do seu jeito manso 
Que eu me sinto imenso
Dentro da sua delicadeza 
espreguiço toda minha felicidade
E endosso minha calma
dentro da sua doçura.

Que eu morra antes


Que eu morra antes
Que eu morra antes da minha aparência
No limiar de uma possível prova
Que eu morra antes da vaia
Para ser aplaudido no enterro
Que eu morra antes
Antes que todos descubram que eu não era um sábio
Que eu morra antes
Mas não sem antes suscitar o êxito
Mas não sem  antes inquirir apostas
Que eu morra antes de apostar com a vida
Que eu morra antes
Mas antes serei amigo do músico
Antes serei amante de atriz
Antes serei  filho do diplomata
Que eu morra antes
Antes que todos descubram que eu era incapaz.
Antes que todos descubram que eu não amava a vida

Malditos

Bendita a bondade que não é confundida
O silencio que não é permissivo
O pessimismo que não anula o sofrimento
Bendito o riso que não fere
Bendito o respeito que não precisa ser dito
Maldita
Maldita a ironia que camufla o sangue
Maldita a liberdade que perde a cor
Maldito o ingênuo que generaliza a dor
Maldito entre os dentes, bendito calado.