Páginas

sábado, 16 de junho de 2012

Que eu morra antes


Que eu morra antes
Que eu morra antes da minha aparência
No limiar de uma possível prova
Que eu morra antes da vaia
Para ser aplaudido no enterro
Que eu morra antes
Antes que todos descubram que eu não era um sábio
Que eu morra antes
Mas não sem antes suscitar o êxito
Mas não sem  antes inquirir apostas
Que eu morra antes de apostar com a vida
Que eu morra antes
Mas antes serei amigo do músico
Antes serei amante de atriz
Antes serei  filho do diplomata
Que eu morra antes
Antes que todos descubram que eu era incapaz.
Antes que todos descubram que eu não amava a vida

Malditos

Bendita a bondade que não é confundida
O silencio que não é permissivo
O pessimismo que não anula o sofrimento
Bendito o riso que não fere
Bendito o respeito que não precisa ser dito
Maldita
Maldita a ironia que camufla o sangue
Maldita a liberdade que perde a cor
Maldito o ingênuo que generaliza a dor
Maldito entre os dentes, bendito calado.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Pulsão escópica

O meu olhar no seu não sou eu, é meu pulso que suplica pelo teu.
Com meus olhos descubro tua ausência
O meu olhar onde você não está, esse sim sou eu.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Psique

Quando eu te conheci, um deus
desses alados que vivem atirando flechas
disse : Vai, Iuri! vai ser feliz no amor.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Sem previsão


Tenho medo do seu mistério doer mais que a morte
E desvendar o azar de quem sempre perde um amor
Dito o respeito, da lei que rege um coração
E és tão leal, quanto à ciência sem resposta
Eu me mostro sem previsão
Sou o oposto da vidência
Distorço o silencio da língua
Que desloca teu peito sem ritmo
Desnorteio o corpo, a lágrima nunca perde o rumo
Em minha educação não existe o mal
Bem aventurado me deito
E me frustro por falta de cantiga

Não sobrevive sobre o amor


Posso perder a razão
Mas não deixo de declarar o meu amor
Incondicional é o descontrole
Não vou sobreviver
Incontido em meu próprio grito
Teu silencio é sanatório
E é notório o quanto me faz mal
Não sobrevive quando é sobre o amor
Vexame maior é não se exaurir
Não precisa defender o meu principio
Mas não afunde de vez com meu o fim.

Quando querer morrer

Quanto desamor
Quando querer morrer
é também matar.