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terça-feira, 13 de setembro de 2011

No centro do meu mundo, não há nenhuma árvore

Corro para abrandar meu corpo
para me soltar do suicídio
do tempo que protesta meu ócio
das pernas que abrasam em necessidade
Do desejo se fez obrigação
Da corrente que Deus leva
só a oração me desconcentra
Meu coração barato, bate devagar, parado
só se encare no susto
Quem me dera a nostalgia me assustasse
mas é do passado que o espirito sobrevive
A arte já perdi, por esquecer tuas imagens
e esquecendo, me liberto do estranhamento, desfamiliarizando a dor
Toda morte é entrega
e eu não passarei pela porta sem antes entende-la.
Ilumina e vai embora, desfaz o conhecimento
Quando o tudo for abstração, valorizemos o nada
A indolencia é cara, e eu pago por não gastar meu tato
Por não gastar meu reflexo, me angustio
E a angustia é o dialogo da consciencia com o meu vazio.

domingo, 4 de setembro de 2011

O mal não sabe dançar

Ensurdecerei de moral
Antes que os males chegue aos meus ouvidos
No céu não há valsa
E o cético dita um passo pessimista
Não me espanta o vento, que pisa em teus pés. Nem a chuva que desalinha tua cintura
Da natureza que faz teus coretos, só o ritmo se torna dia
E em desarmonia o rei grita
É que o mal não sabe dançar
E o bem quase sempre desafina.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pássaro Selvagem

Do cansaço se fez segredo.
Não ousaria pensar, para que não pousasse em meu peito.
Hoje prefiro que voe sem asas subestimadas.
Do teu canto fiz despertador. Canta e parte
que é do teu parto que renasci.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sonífero

- Vou te confessar, ontem quando você estava dormindo, te beijei
Ela imediatamente feche os olhos, ele sem entender pergunta :
- O que está fazendo?
- To fingindo dormir que é pra ver se você me beija de novo

domingo, 28 de agosto de 2011

Esmurrando facas de dois gumes

Ninguém sente falta das tentativas depois que termina o murro.
A mão não se cansa, mas a faca continua a sangrar
Mudaremos a ponta, mas não mudaremos a força até darmos murros em facas de dois gumes.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Salvar Agosto

Ela veio para salvar Agosto
ela veio para salver o mês
quiçá o ano
quiça a vida.


Reduzido

Eu ando tão egoista, que só o amo o que invento
Perceber não é pensar, é cair em realidade
minha memória é meu tempo, é a linha exata de meus erros
o meu abrigo enquanto a rua é desassossego
Meu coração é minha culpa, é a crença do que devia dar certo
Só perco, o que não descobri que perdi
não é preciso invadir o corpo para a matéria estar viva
mesmo que recente, o desprazer ainda me envelhece
e me reduz a idéia, morrer é ser reduzido a uma idéia
Meus olhos embranquecem diante do que não mais me pertence
tudo que não me lembro permace com hálito puro
e se revejo, é como um recem nascido que só conhece o escuro
fragil demais para voltar ao fim, forte demais para fazer um recomeço
Quantos modelos ei de seguir, até padronizar a dor?
do demodé que invejo, estranho-me no comum
Me equilibrar em voz sempre foi uma tentação
é no inferno que desafino
então me calo pela vergonha do eco, calando também o eco
sem asas não há efeito
e a causa ainda é trair o futuro
do paradoxo que viajo, estatico ainda é a burrice
É que Deus, quase nunca experimenta
e eu, quase nunca sonho
Impressiona-me, eu querer impressionar tanto
meu egoismo é autoflagelo
é a única coisa que me resta em solidão
meus dedos não suportam meu corpo
e é por isso que escrevo em demasia
Meu alivio só vem na vaidade
Eu busco em qualquer admiração, um destino que não é meu
Eu não vou decorar o sucesso de quem não me conhece
Prefiro me resguardar em frustração.