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domingo, 28 de março de 2010

Jaçanã

Eu prefiro o tédio
de não fazer nada
do que nadar,em suas águas

Eu não me acostumei
o mar eu nunca amei
prefiro os prédios
de São Paulo

Até me aprumei
mas o mar eu nao amei
prefiro os prédios
de São Paulo

Eu quero a cidade cinza
que eu mesmo ranzinza
sou feliz.

Quero o samba de jaçana
essa gente sã
na avenida a cantar.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Drummond

Pedro era companheiro da solidão
Joyce andava de mãos dadas com o isolamento
Certo dia, Pedro conheceu Joyce
E Joyce se encantou com Pedro
Pedro se encantava com jazz
Joyce passou a cantar jazz
Pedro cantava a atriz daqueles filmes franceses
Joyce começou a assistir Godard
Um dia Joyce conheceu Márcio
Que era vegetariano, gostava de folk e de literatura Russa
Os dois casaram
Certo dia Joyce se lembrou de Pedro, e não entendeu
O porquê havia namorado ele
Já que ele era carnívoro, odiava Bob Dylan e só lia auto-ajuda.

sexta-feira, 19 de março de 2010

A solidão me completa
Só a saudade é perfeita
Não há pecado na solidão
Nem miséria no bom senso
O que dificulta a compaixão
É o exagero do ego
Colírio colérico que cega
Traga o espelho quebrado
Divido entre eu e eu
Como se fosse capaz, a felicidade desamparada
Não comparo amor
Tão pouco,me distancio da realidade
O que me distraia na hora do medo
É a morte constante da esperança
Se tenho a mim,tenho só uma visão
Serei visionário da culpa
E morrerei como um martírio para o céu.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Pássaros

Um passo ao impasse
Um passarinho impossível que se aproxima
Tal qual pássaro novo, sem ninho
Meu passado passista
Saudoso encontro com o cético
Quem sabe toda palavra boa pousaria
Quem sabe todo amor seria de Maria.
Toda pausa que a vida retém
Refém a fé que não altruísta
Subirei ao alto, e de lá voarei
Como se fosse possível,o acaso sobrevoar a vida.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Samba do Barraco

É uma barra
morar em meu barraco
mas só de birra
eu não me mudo de lá

Tem gente que berra
que é burra
e que é barrada

No meu barraco
as paredes ja estão
todas borradas

E quando chove
inunda tudo
fica aquele barro.

é uma barra.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Caravelas

A brasa queimava a página de algum livro do Caio Fernando Abreu
E as cinzas ocupavam o ar que antes fora da solidão
E como em um livro, as palavras eram o essencial
Embora os beijos, despertavam algo melhor que literatura
Era como ser personagem de uma vida real
A musica equilibrava os sorrisos
E a cama era um deposito de segredos
Ela era o que faltava em minha ausência
E enquanto ela acender meu cigarro
Eu estarei com ela.

terça-feira, 2 de março de 2010

Crença e Aparência

Só creio no que crio
e só crio aquilo que creio
tudo cresce com a crença
destino malcriado, que cre no acaso.
e ando sigo,todos me falam
: - Cresça e apareça,crença e aparencia.