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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Cantando

Exponho-me, do espinho á paz.
Da face que apanha, ao coração que é apunhalado.
Expondo – me assim, espanto os fracos
Como se eu só amasse, cantando.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Quando o Zé deixou de ser ninguém

Quando o Zé deixou de ser ninguém
Eu passei a desfiar tua fantasia
e a desconfiar do teu confete
Quando o Zé deixou de ser ninguém,
A ponte que nos unia, virou serpentina
e na repentina ingenuidade eu me pus em seu lugar
Quando o Zé deixou de ser ninguém
Vislumbrei que o ninguém, sempre foi um personagem.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Da tua tatuagem

Para me encorajar, anoiteça comigo.
Eu que não durmo sem tua sintonia
Você que adivinha meu peito, que esvoaça meu sono.
Para cajurar minha noite conjuga teu céu com minhas folhas
Você que prefere cegar minha presença e confundir meu regozijo
E entre conjurações, vou me constranger em sua pele.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A vida que impede o sonho

O que me impede em vida
padece em sonho
O que poda minha lembrança
volta para o pódio da tristeza
Lá no alto, tão pedante quanto minha promessa.
Isso que me pede coerência
é tão pudico quanto o meu amor.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ventar

É preciso ventar
E jogar o sol para abaixo dos seus pés
É preciso salgar as lembranças, antes da maré ressecar.
E quando o futuro se encher de espuma, deixar o relento para amargura.

Acima de quem

A loucura nunca foi um caminho
Acerta quem respira acima do amor
Quem enxerga de longe a promessa e prefere a sombra
Quem primeiro constrói a casa, antes de morar em ilusão
Acerta quem por último pede desculpas
Quem não procura o óbvio não se machuca com o mistério.
E quem de nós dois foi mais um só?
E a incerteza dói mais que o desencontro.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Castigo

Não há mais braços castos
Tudo que instiga traz castigo
e o castigo me gasta o coração
Não estimo nenhum lástima
Nem mastigo nenhum cântico
Somente meu peito rústico
deixará rastros catatônicos.
Perdoe meu pensamento ríspido
é que a tristeza nunca foi insipida.