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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Impossível

Não vês o quanto é improvável
Esse teu horizonte ávido por vivencia?
Vocalizando em minha mente só por experiência
Deletérios por deleite
Dilatando as horas, tentando em mim decodificar teu limite
Encostando-se a mim seu elogio eloqüente
Sem previa, apenas me privando da decadência
Não vês o quanto é imprevisível?
Verticalizando toda imprudência
Destreza de esquina, decantando em toda rua.

Cópia Fiel

Esse vidro que fica em mim
Como se me cortasse em sua cópia
Como se melodiasse sua essência
Sua boca reinventa a divindade assoviando demônios inofensivos
Esse seu corpo infiel para minhas mãos e incongruente para minha direção
Leva seu corpo para longe do meu e diz que é vontade de deus
Há sempre um pedaço de liberdade em toda apoteose
Consagra teu sangue, é de bom grado ser assim tão solitário
E esse vidro que fica em mim
Pedaço de liberdade que não se despede sem antes me cortar
Como se me fatiasse em sua cópia tetricamente forjada
Emancipa seu vicio e é da tua fome que me enfeitarei
Serei um pedaço seu, o pedaço que nega a morte
O pedaço da estante com flor
E quando se livrar de mim, serei a copia fiel de tua tristeza.

Frente

Eu reverencio a tua essência
Reinvento o sossego com a sucessão de formas
Aponte desmonte a mente, apara a transgressão
Imerge, interage, corte a falha que ficou
Rasga tua cor metálica da geometria dos teus passos
É tão fácil ter pés de alumínio enquanto abraço o fastio
E essas pessoas que nos carregam, como submarinos permanecem sem poesia
Querem nos moldar em ondas, nosso força dobradiça
Constrói a dor sem solidão
Rompe o dicionário, transcreve a terapia no meu corpo com palavras sensórias
Dicotomia, somos dois bichos que se mexem sem nenhuma finalidade
Não feche a janela se não morremos.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Direito, esquerdo

Direito. Sempre Direito. Ou quase sempre direito. Juntos deitados na cama, você dava preferencia ao lado da parede, ao lado direito. Juntos no avião, você gostava de ir ao lado da janela, ao lado direito. Na rua andávamos, de mãos dadas, e por segurança você ao lado direito, dentro da calçada. Festa junina os dois perfilados, lado direito. Casamento do meu irmã, padrinhos lado esquerdo, madrinhas ao lado direito. Direito. Sempre direito. Ou quase sempre. Por que dentro de mim, você sempre esteve do lado esquerdo do peito.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Limites

Transito entre limites
o esfriamento da lucidez queima tudo
queima o quarto, apaga o afeto
cinzas e mais cinzas se espalham sem sua retina
tantas mentiras para uma boca tão pequena
sua boca alcançará o amanhã?
Meu nascimento foi um erro médico.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ribalta

Substituo seu amor por uma palavra
E a vida já não passa de desejo
Outro significado para sua resignação
E a Pedra só não é rosa, por hábito
E eu só não sou objeto por ser cômodo
Por me acostumar em me contentar
Agarrar se a vida com a dignidade de um palhaço infeliz
E ter um calvário para todo heroísmo perdido
Serei amador até que a luz se apague
E em minha ribalta só haja intenção

domingo, 25 de dezembro de 2011

Pedaço de carne

Não finja mais que é biologia
essa tua angustia
Não finja que é canção morta
esse teu vazio
Não chame de abstrato e nem de escuridão
Apenas não chame
Não lembre, não mate, não voe.
Deixe assim, pedaço de carne, falta de pele
Do concreto de sua morte, só a calçada em que se deita
Deixe assim, o sol, mosquitos, urubus
encaixe perfeito para teu deserto
Não finja mais que é religião
essa tua falta de Deus
Não finja mais que é literatura
essa tua falta de palavras.