Minhas palavras sonham com teu rosto
Assim como meu rosto elege teu beijo
Tua palavra me lê, seu silencio me costura
Nossas conversas esboçadas no tempo
O sino que embranquece a vida
Abandona sua clareza .
sábado, 24 de dezembro de 2011
Neruda
Se a veia é torta
O amor sempre será uma tortura
E não há quantidade de sangue que cure
Quando o coração é genuinamente pequeno
Essa minha sangria sem depósito que não supre
Se não cresce em mim, não rasga em ti
O prazer é a repetição automática de um raciocínio
Encarecido, não encaro nenhuma sorte
Da cara e coroa que é tua razão
Pagarei caro por esmaecer sem prestigio
E morrer sem nenhuma moeda
A covardia endurecida, dura
E a ternura perdida em qualquer verso de Neruda.
O amor sempre será uma tortura
E não há quantidade de sangue que cure
Quando o coração é genuinamente pequeno
Essa minha sangria sem depósito que não supre
Se não cresce em mim, não rasga em ti
O prazer é a repetição automática de um raciocínio
Encarecido, não encaro nenhuma sorte
Da cara e coroa que é tua razão
Pagarei caro por esmaecer sem prestigio
E morrer sem nenhuma moeda
A covardia endurecida, dura
E a ternura perdida em qualquer verso de Neruda.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
domingo, 18 de dezembro de 2011
Nunca esqueci
A verdade é parente da sorte
E os olhos não ficam abertos diante a desventura
De todo troféu, o fel será meu
Sou o que leva a lembrança no sangue
Sou o que perde as brigas na escada
enquanto sobe os degraus de um príncipe
Sou o senso comum da porrada
E a violência é só um desperdício do apego
Eu não vou colher do azar a roleta de suas palavras
Separe o joio de Cristo, o atrito do pagão
que jogarei invenções para todo o ventilador
Enumere quantas vezes Deus te ressalvou
E enferruja essa tua cara de espanto
A verdade aparentemente vence o instante
E os olhos não se fecham diante a bonança
De todo fel, nenhum troféu
Vou erguer o esquecimento do poeta
e orgulhar de minha existência lunática
Enquanto levo para casa um punhado de esquerda, e outro punhado de bravata.
Tango Torto
Enquanto houver essa tortura
Em um tango torto eu desviarei das balas
Em um tango torto eu desviarei das balas
E um tanto de tato para me perder sem desatino
Enquanto houver esse dissabor
Em um samba desacordado eu fujo
E um tanto de pranto para me perder sem graça
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
O Discurso do Rei
Com suas botas de mármore pisou no palco de terra e bradou: - A solidão é uma experiência anônima, que se priva de qualquer beleza. Os aplausos fantasmas sincronizavam o ritmo da pena e o avanço da loucura, nenhum dedo a mais de vertigem. Os punhos interrompiam os sonhos, e cerravam heroicamente o existencial. Invocava ruídos e aflitos, inúmeras mãos, mãos prévias, inúmeros abrigos. Reconhecido, se curvava pela última vez, antes de se deitar entre insetos.
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