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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ausência

Quando fores
sua ausência me fará perguntas
que responderei com memórias
suas lembranças vão me distanciar da realidade
cairei em pesares
terei mais passos, mas perderei o caminho.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A minha calma

A minha calma é uma maneira de se isolar do mundo
de me desligar do mundo e silenciar o meu limite
me calo pelo meu limite, e não por resignação
todos me conhecem tão bem
sabem da minha capacidade de errar
reiteram minha premissa
meu exoesqueleto é um nada
e meu vazio é a contemplação do tudo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Abraço Quente

A tristeza é um abraço quente
que insiste em me despir
só um truque barato para que eu abra as janelas
e fique exposto a dúvida.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sete Pecados Capitais

Pode ser que os pecados sejam intrinsecamente dos reservados e conservadores.
Tudo bem que há pecado para todos os corpos, bocas e devaneios,
mas há algo de timidez no orgulho ou de medo na gula,
e no fim há uma fraqueza em tudo, não de espírito mas de compaixão,
o pecado é renunciado por educação e não por condescendência,
muitas vezes a educação está acima do bem e do mal.Hoje em dia o pecado repousa na mente e não no coração. Os corpos descansam em pecados e culpa não mais se faz presente,todo exagero exercido, difama o bom senso. O equilíbrio distante de uma vida sadia ainda permanece longe,o carpe diem subversivo é o norte de toda entrega,
que faz de cada dia uma explosão de vaidade.Se ao menos o orgulho declamado fosse escondido no espelho...mas os pecados são anunciados em alto falantes
por bocas que não enxergam o coração.Há de se viver mais do que nosso vão desejo,extrapola a vida quem não domina seu desejo,tornando o próximo apenas um tronco a mais para chegar ao seu sonho.
Não importa o pecado, o capital nunca pagará tão bem.Sem dinheiro no bolso, sem pecado no coração.A graça de se acabar em simergulhando em puro desespero vaidoso.Perde-se personalidade, perde-se caráter,a favor de uma vida mais palpável.O pecado é o instrumento que faz o corpo ser mais útil que a alma,que faz a carne ficar mais próxima ainda do osso.O osso, limiar de todo egocentrismo encontrado. Há vaidade demais.
No sangue que percorre o orgulho os pecados se misturam, formando um grande bolo de insensatez.Há gula demais na vaidade e inveja demais na avareza.Todos calcados em um inconformismo tenaz,que é capaz de calar todas as religiões. Acostuma-se com a gula, acostuma-se com a vaidade.Alimenta-se a gula com a o desprezo causado por uma vaidosa.A vaidosa incita a inveja da pobre menina que, por ira, acaba na luxúria.Um pecado desencadeia outroe a vaidade não é a único algoz.Todos os pecados cabem em um só.






Poema fio contudor do curta Sete Pecados Capitais, produzido pelo coletivo de arte Lobo Parietal.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Amanhecer

Seus braços me afastam, enquanto o sol afasta as nuvens
Quando amanhecer, seus lábios serão do vento
enquanto os meus, serão só meus
vão cerrar entre palavras cortadas de um frio injusto
ressecada será a solidão quando nos despedimos
Haverá um buraco em cada tentativa de ser pleno
A boca seca de se inebriar em desculpas
A fome que mata a ferida da ferida que não mata o homem
Só encontro teu corpo no escuro
onde cada fuga é confortável
encoberto de cansaço e descanso
deitados somos livres, em pé somos do que convém
Só te tenho por perto quando não há mais ninguém
quando não não há o seu ninguém
e eu sinto muito por amanhecer.
Se eu pudesse, meu corpo inteiro seria noite.

domingo, 15 de maio de 2011

Sedado de vazio

Ando sedado de vazio
respirando apenas lembranças
trancafiando o ar tremulo
das palavras quebradas
inalo a compaixão
para não me hipnozitar com a morte
anestesiando meu corpo
para não cair em tentação
meus delirios insiveis
são calafrios em minha esperança
imóvel, sou apenas uma pedra que queria ser gente
quem cuida de mim é o medo

Soluções Tímidas

Não me ajusto na injustiça

nenhum gesto de Deus me fará sorrir

sou indigesto para vida

e não há desconforto maior que minhas palavras

minha cabeça estranha minha língua

e meus pensamentos constrangem minha peito

a míngua, eu me perco em soluções tímidas.